Inácio Correia Pamplona

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Inácio Correia Pamplona foi um dos que delataram Tiradentes e seus companheiros a respeito das suas pretenções de independência de Portugal, no episódio conhecido como Inconfidência Mineira.

O processo aberto contra os inconfidentes em 1789, mais conhecido como devassa, foi baseado nas denúncias de Joaquim Silvério dos Reis, Basílio de Brito, Malheiro do Lago, Inácio Correia Pamplona, tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, Francisco Antônio de Oliveira Lopes, Domingos de Abreu Vieira e de Domingos Vidal de Barbosa Laje.

O capitão-de-campo (caçador de escravos)Inácio Correia Pamplona foi também o responsável pela destruição de várias aldeias indígenas e refúgios de escravos da região, especialmente do quilombo Campo Grande (1784), chamado pelos negros refugiados de Mammoy (ou Mamboy, "rio de águas sujas" em língua tupi). Esse local seria o embrião do futuro município de Bambuí, cuja fundação, alvo de controvérsias, é atribuída por alguns ao destruidor do quilombo, o coronel Inácio.

A patente correta era mestre-de-campo. Nunca destruiu qualquer aldeia de índio. Quem destruiu os quilombos do Campo Grande, incluindo o Quilombo do Bambuí (Mammoí), foi Bartolomeu Bueno do Prado, em 1759. Em 1784 só havia quilombos esparsos. Mesmo assim, Pamplona não destruiu nada. Apenas contratava capitães-do-mato para atacá-los.

O falso entendimento sobre os inexistentes feitos do Pamplonaa adveio de escritos do próprio Pamplona que, a exemplo do que fez em sua expedição de 1769 ao Triângulo Goiano, hoje, Mineiro, quando contratou capitães-do-mato para atacar alguns negros que vagavam pelo que sobrara do já destruído (1759) núcleo do Quilombo do Campo Grande no Triângulo. Nesse documento, por exemplo, Pamplona manda seu escrivão registrar em 1769, que ele estava construindo a capela de Bambuí, quando, na verdade, ela já existia antes, como prova um documento oficial que informa ao governador que, em 1760, os negros tentatam lançar fogo na capela-mor de Bambuí. O Pesquisador Tarcísio José Martins concluiu que, na verdade, Pamplona tentou dar continuidade ao projeto reinol de abocanhamento de fronteiras, iniciado por Gomes Freire com a implantação do Sistema Tributário da Capitação. Isto fica evidente no seu diário e roteiro da expedição de 1769, onde lança posses e rebatiza rios e lugares, que na verdade já tinham nomes e pertenciam à Capitania de Goiás. Foi acusado - na própria época - de ser mentiroso, de relatar serviços imaginários e pedir favores em troca de tais atos que descrevia como heróicos e cheios de sofrimento. Foi até ameaçado de prisão por suas mentiras, arrogância e abusos contra os mais fracos. Historiadores do Triângulo, a exemplo de Hildebrando Pontes, atribuíram a esse fanfarrão coisas que, segundo consta, nem ele atribuiu a si mesmo. Por exemplo, quem destruiu os índios araxás em 1749/1750 foram os índios Caiapós que, segundo documentos da Capitania de Goiás, lhes mataram todos os homens e levaram suas mulheres e crianças para devorem em sucessivos banquetes, como, segundo o governador de Goiás, era costume dos Caiapós. Da mesma forma, não consta qualquer documento que prove que Pamplona tenha atacado os Caiapós ou a quaisquer índios do Triângulo ou de qualquer outro lugar. Seus mapas são contraditórios e sem prova do que registram. Visavam apenas e tão-somente a criar falsas provas de ocupação do território Goiano. Somente em 1815 é que os reinóis de Minas Gerais, com abuso de poder (Minas era a mais poderosa de todas as capitanias, então províncias), conseguiram esbulhar da então Província de Goiás, o atual território do Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro. O conhecimento do lado Paulista e Goiano da História ficou prejudicado, porque Gomes Freire destruiu politicamente a Capitania de São Paulo (que deixou de existir no período de 1748 a 1765) e Goiás, era muito pobre. Mas, atualmente, a verdade está aflorando. Vide, por exemplo os artigos abaixo indicados:

OS ÍNDIOS ARAXÁS DO TRIÂNGULO EXISTIRAM? in http://www.mgquilombo.com.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=86&Itemid=3

ESTUDOS ao Roteiro da Expedição de Pamplona de 1769 in http://www.mgquilombo.com.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=92&Itemid=3

Nas Cartas Chilenas, de Cláudio Manuel da Costa, lê-se, quanto aos índios e aos negros: "Se ninguém mais me oferece, arremato". / Ao lanço do Brandúsio ninguém chega, Informado o juiz, ordena e manda / Que o prédio se remate; então se chega O porteiro risonho ao licitante, / E lhe diz "que lhe faça bom proveito" Ao mesmo tempo que lhe entrega o ramo. / Parte logo o soldado e conta ao chefe O sucesso da praça. O bruto monstro, / Julgando profanado o seu respeito, Manda lançar no pobre licitante / Um pesado grilhão e manda pô-lo, Ajoujado com um despido negro, / A trabalhar nas obras da cadeia. O preso injuriado desfalece / E o chefe desumano desce à rua Para que possa, de mais perto, vê-lo. / Sucede a um desmaio outro desmaio; O negro companheiro, então, lhe acode, / Nos braços compassivos o sustenta; Porem o velho chefe, que deseja / O vê-lo, ali, morrer, por um soldado Manda ao negro dizer que ao preso deixe / E cuide em prosseguir no seu trabalho. Os mesmos desumanos, que rodeiam / Tão bruto general, aqueles mesmos Que, alegres, executam seus mandados, / Apenas escutaram tal preceito, Um pouco emudeceram e tiveram / Os rostos tristes, muito tempo, baixos. Os outros, Doroteu, deram suspiros / E, bem que forcejaram, não puderam Fazer que os olhos não se enchessem de água. / Eu creio, Doroteu, que tu já leste Que um César dos romanos pretendera / Vestir, ao seu cavalo, a nobre toga Dos velhos senadores. Esta história / Pode servir de fábula, que mostre Que muitos homens, mais que as feras brutos, / Na verdade conseguem grandes honras! Mas ah! prezado amigo, que ditosa / Não fora a nossa Chile se, antes, visse Adornado um cavalo com insígnias / De general supremo, do que ver-se Obrigada a dobrar os seus joelhos / Na presença de um chefe, a quem os deuses Somente deram a figura de homem! / Então, prezado amigo, o néscio povo Com fitas lhe enfeitara as negras clinas, / Ornara a estrebaria com tapetes, Com formosas pinturas, ricos panos, / Bordados reposteiros e cortinas; Um dos grandes da terra lhe levara / Licor, para beber, em baldes de ouro, Outro lhe dera o milho em ricas salvas; / Mas sempre, Doroteu, aqueles néscios Que ao bruto respeitassem, poderiam / Servi-lo acautelados e de sorte Que dar-lhes não pudesse um leve coice. / Eis aqui, Doroteu, o que nos nega Uma heróica virtude. Um louco chefe / O poder exercita do monarca E os súditos não devem nem fugir-lhe / Nem tirar-lhe da mão a injusta espada. Mas, caro Doroteu, um chefe destes / Só vem para castigo de pecados. Os deuses não carecem de mandarem / Flagelos esquisitos; quase sempre Nos punem com as coisas ordinárias. / O mundo inda não viu senão um corpo Em branco sal mudado, e só no Egito / Fez novas penas de Moisés a vara. Perguntarás agora que torpezas / Comete a nossa Chile, que mereça Tão estranho flagelo? Não há homem / Que viva isento de delitos graves, E, aonde se amontoam os viventes / Em cidades ou vilas, ai crescem Os crimes e as desordens, aos milhares. / Talvez prezado amigo, que nós, hoje, Sintamos os castigos dos insultos / Que nossos pais fizeram; estes campos Estão cobertos de insepultos ossos / De inumeráveis homens que mataram. Aqui ou europeus se divertiam / Em andarem à caça dos gentios Como à caça das feras, pelos matos. / Havia tal que dava, aos seus cachorros, Por diário sustento, humana carne, / Querendo desculpar tão grave culpa Com dizer que os gentios, bem que tinham / A nossa semelhança, enquanto aos corpos, Não eram como nós, enquanto às almas. / Que muito, pois, que Deus levante o braço E puna os descendentes de uns tiranos / Que, sem razão alguma e por capricho, Espalharam na terra tanto sangue"[1].

Página oficial da Prefeitura de Bambuí</ref>.


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Referências

  1. Não há evidência de que esse texto se refira a Pamplona. Não há evidência de que Cláudio Manoel da Costa tenha escrito o texto acima. Mas, há evidências de que Cládio Manoel da Costa não tinha qualquer compaixão para com os negros. Esse mesmo Cládio, como presidente da câmara de Vila Rica, escreveu ao rei em 1762 sugerindo e pedindo autorização para se lançarem esquadras de capitães-do-mato simultaneamente em todas as comarcas para prender, de uma só vez, todos os escravos fugidos ou matá-los se resistissem. Pego pela 3ª vez o negro, sugeriu, Claudio e demais vereadores, que lhe fosse aplicada a pena capital pelo mero crime de fuga (in Verbete nº. 6500 do IMAR/MG, Cx. 80, Doc. 46, do AHU), concluindo que só assim "se extinguiriam os ladrões, não haveria negros fugidos e, finalmente, estariam os vassalos de V. Majestade sossegados, os caminhos desembaraçados e as famílias sem risco”, reafirmando ao final da carta que “este remédio suplicamos a V. Majestade para o nosso descanso e conservação do Estado". Como se vê, 36 anos antes das Cartas Chilenas, Cláudio não tinha qualquer compaixão para com os negros. Depois, como escrivão de Luiz Diogo, caminhou 365 léguas sobre os ossos do Mártires do Campo Grande,em 1764. Como se vê, 36 anos antes, Cláudio não tinha qualquer compaixão para com os negros. Em seu poema Vila Rica, bajulou muito a José Antonio Freire de Andrade, irmão de Gomes Freire, por ter massacrado os quilombolas do Campo Grande. O massacre ao Quilombos da Confederação do Campo Grande foi, segundo o pesquisador Tarcísio José Martins, o maior genocídio ocorrido em terras brasileiras, desde Palmares. Cláudio teve filhos com sua escrava, com quem viveu muitos anos sem alforriá-la e confessou que tinha muita vergonha de ter vivido com uma negra.

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