Um dialeto (português brasileiro) ou dialecto (português europeu) (do grego διάλεκτος) é a forma como uma língua é realizada numa região específica. Cientificamente este conceito é conhecido por "variação diatópica", "variante geolinguística" ou "variante dialetal".
Uma língua divide-se em inúmeras variantes dialetais. Desde as mais abrangentes (e. g. português europeu e português brasileiro) até às sub-variantes mais específicas. Por exemplo:
Os critérios que levam a que um conjunto de dialetos seja considerado uma língua autónoma e não uma variante de outra língua são complexos e frequentemente subvertidos por motivos políticos. A Linguística considera os seguintes critérios para determinar que um conjunto de dialetos fazem parte de uma língua:
Um dialeto, para ser considerado como tal, tem de ser falado por uma comunidade regional. As características da língua que não são específicas de um grupo regional são consideradas socioletos (variedades próprias de diferentes grupos sociais, etários ou profissionais) ou idioletos (variedades próprias de cada indivíduo).
As regiões dialetais são estabelecidas por linhas de fronteira virtuais a que se dá o nome de isoglossas.
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Todos os dialetos (sem exceção) têm uma norma. Essa norma é o conjunto de regras que garantem a unidade do dialeto, limitando a variação e a evolução linguística na comunidade. Quando uma língua se institucionaliza, através da criação de instrumentos normativos como a gramática normativa e a ortografia, tende a escolher um dos seus dialetos como norma padrão. Por exemplo, a norma padrão para a língua castelhana é, actualmente, a norma do dialeto de Madrid.
É importante sublinhar que a escolha da norma padrão é algo de puramente político e que, geralmente, está relacionado com a localização das capitais políticas, culturais ou económicas dos países. Assim, não existem dialetos melhores ou piores do que outros. É tão legítimo dizer-se bint (para "20"), à moda da cidade do Porto, como vintchi, à moda do Rio de Janeiro.
Por vezes, os critérios políticos que interferem na língua podem estar muito distantes dos critérios científicos. Há países, em que autênticas línguas são consideradas apenas dialetos da língua oficial, quando, na realidade, não o são de todo. Não é preciso ir muito longe. Até ao Séc. XX a língua galega foi considerada um dialeto da língua castelhana. Na realidade, a Linguística provou, ao longo do Séc. XX, que o galego é uma variante dialetal do português. De um ponto de vista legal, o galego é considerado uma língua autónoma. De um ponto de vista científico, ela é estudada nas universidades como um dialeto do português.
Outro exemplo semelhante é o do mirandês. Vista até há poucos anos como um dialeto do português, provou-se que se trata de um dialeto da Língua leonesa, língua considerada morta, do grupo astur-leonês (ver página da língua leonesa na wikipédia asturiana).
A língua portuguesa usou como norma padrão, a partir do Século XIV, os dialetos falados entre Coimbra e Lisboa, com especial relevo para este último. No Brasil, a norma padrão evoluiu do dialeto de Lisboa para o do Rio de Janeiro (com a fuga da corte para o Brasil em 1808) e, desde então, para uma influência partilhada pelas variantes em uso nas maiores cidades do país[1].
O Acordo Ortográfico de 1990 representa, do ponto de vista da linguística política, um processo inédito a nível das grandes línguas mundiais. Pela primeira vez, a ortografia de uma língua é discutida globalmente pelos diversos países que a usam e não imposta por uma das partes. Em vez de se basear na norma de um dos dialetos da língua, este acordo ortográfico vai ao encontro de diversos dialetos, tentando encontrar um compromisso entre eles.
É comum circularem algumas ideias sobre dialetologia que são erradas e sem fundamento.