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| Sranan (Sranan Tongo) | ||
|---|---|---|
| Falado em: | Suriname | |
| Total de falantes: | 300.000 | |
| Família: | Línguas crioulas Crioulo Atlântico Suriname Sranan |
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| Códigos de língua | ||
| ISO 639-1: | -- | |
| ISO 639-2: | srn | |
| ISO 639-3: | srn | |
O sranan ou surinamês (Sranan Tongo, "língua surinamesa") é um idioma crioulo falado como língua materna por cerca de 400.000 pessoas no Suriname.[1] Falado pelos pelos crioulos do país, o sranan foi chamado, em épocas coloniais, pelos termos menos politicamente corretos nengre ou negertaal ("língua dos negros", em holandês), e taki taki (do inglês talk talk).
Como o idioma é a lingua franca das comunidades de fala holandesa, javanesa, hindustani e chinesa, a maioria dos surinameses o fala com fluência.
Índice |
Estudos provaram que o sranan é, fundamentalmente, uma língua baseada no inglês, com uma camada de palavras que vem do holandês, devido à dominação holandesa do Suriname a partir de 1667.
As palavras "saber" e "criança pequena" em sranan são sabi and pikin; esta influência portuguesa deve-se ao fato de que os portugueses foram os primeiros exploradores da costa ocidental da África, onde desenvolveu-se um pidgin, na qual diversas palavras do português passaram a ser usadas com os africanos pelos exploradores posteriores da região, incluindo os ingleses.
O léxico do sranan é, portanto, uma fusão de inglês, holandês, português, além de diversas línguas africanas centrais e ocidentais. Começou a ser usado principalmente pelos escravos africanos no país, que freqüentemente não partilhavam de um idioma africano em comum. O sranan também se tornou o idioma de comunicação entre os escravos e os seus proprietários, já que os escravos eram proibidos de falar o holandês. À medida que outros grupos étnicos foram trazidos para o Suriname, como trabalhadores assalariados, o sranan se tornou uma lingua franca.
O idioma também costuma ser usado em conversas informais, quando é misturado livremente com o holandês. É comum, por exemplo, que se cumprimente outra pessoa com "fa waka" ("como vai", em sranan) do que o mais formal "hoe gaat het" ("como vai", em holandês).
Embora o sistema educacional formal do país seja baseado no holandês, o sranan se tornou aos poucos mais aceito oficialmente, especialmente durante a década de 1980, quando foi popularizado pelo ditador Desi Bouterse, freqüentemente fazia seus discursos no idioma. O hino nacional do país, God zij met ons Suriname, escrito pelo poeta Henri Frans de Ziel, conhecido como Trefossa, tem seu segundo verso é escrito em sranan.
O idioma é conhecido como língua das ruas, porém existe desde o fim do século XVIII, e, especialmente no século XX, a literatura em sranan cresceu enormemente. Desde 1986 existe uma padronização oficial na ortografia do idioma (Resolução 4501, de 15 de julho de 1986). Atualmente, é o único idioma falado e aceito por virtualmente todos os povos do país, seguido a alguma distância pelo holandês, idioma utilizado para a administração, educação, comércio e pelos meios de comunicação.
O sranan é conhecido por sua ambigüidade; uma palavra pode ter diversos significados diferentes, além de duplos sentidos: Baka, por exemplo, pode significar "assar" (do holandês bakken) ou "costas" (do inglês back). Uma explicação pode ser que, como língua secreta dos escravos, não deveria ser compreendida pelos senhores de terra holandeses.
Apesar da distribuição do idioma entre a população, dificilmente ele é utilizado como forma de gíria. Em contraste com outros idiomas crioulos, como o Papiamento, a forma escrita do sranan dificilmente é usada em lugares públicos.
| mi e wroko (m'e wroko) | eu trabalho |
| yu ben wroko | você trabalhou |
| a ben wroko (kaba) | ele (já) trabalhou |
| a mu wroko | ele deve trabalhar |
| wi ben wroko | nós temos trabalhado |
| unu sa wroko | eles trabalharão |
| den ben o (b'o) wroko | eles deveriam trabalhar |
Algumas peculiaridades do idioma são dignas de destaque: