A Teoria Funcionalista aborda globalmente os meios de comunicação de massa no seu conjunto. A questão de fundo já não são os efeitos, mas as funções exercidas pela comunicação, o que a distancia das teorias precedentes. Consiste, resumidamente, em definir a problemática dos mass media a partir do ponto de vista do funcionamento da sociedade e da contribuição que os mass media dão a esse funcionamento. Dessa forma, a Teoria funcionalista representa uma importante etapa na crescente e progressiva orientação sociológica da communication research.
[editar] Contexto
[editar] Principais autores
Merton, Lasswell, C. Wright, Schramm, De Fleur, Blumler, Katz
[editar] Aspectos Importantes
- O equilíbrio e a estabilidade do sistema provêm das relações funcionais que os indivíduos e os subsistemas ativam no seu conjunto.
- A palavra-chave desta teoria é função
- A lógica que regulamenta aos fenômenos sociais é constituída por relações de funcionalidade que visam à solução de quatro problemas fundamentais, ou imprerativos funcionais, que todo sistema social deve enfrentar:
1) A Manutenção do modelo e o controle das tensões 2) A adaptação ao ambiente 3) A perseguição do objetivo 4) A integração
- No que diz respeito ao problema da manutenção do esquema de valores, o subsistema das comunicações de massa é funcional, na medida que desempanha parcialmente a tarefa de realçar e reforçar os modelos de comportamento existentes no sistema social.
- A função é entendida como conseqüência objetiva da ação.
- As funções podem ser diretas ou indiretas, latentes ou manifestas.
À medida que a abordagem funcional se enraíza nas ciências sociais, os estudos sobre os efeitos passam da pergunta "O que é que os mass media fazem às pessoas?" para a pergunta " O que é que as pessoas fazem com os mass media?"
- Os mass media são eficazes na medida em que o receptor experimenta satisfaçoes a suas necessidades
- Tanto o emissor, como o receptor são parceiros ativos
[editar] As funções das comunicações de massa
Wright apresenta em Milão, em 1959, um ensaio pelo qual descreve-se uma estrutura conceitual que deveria permitir inventariar , em termos funcionais, as ligações complexas que existem entre os mass media e a sociedade. São elas: Relativa à sociedade:
- Alerta os cidadãos contra perigos e ameaças
- Fornece instumentos para se exercitar certas atividades, como por exemplo, as trocas econômicas
Relativas ao indivíduo:
- Atribuição de posição social e prestigio às pessoas que são objeto de atenção dos mass media
- O reforço do prestígio por ser um cidadão bem informado
- O reforço das normas sociais, caráter ético, confirmando as normas sociais, denunciando seus desvios à opinião pública.
- Melvin De Fleur salienta a função que particulariza a capacidade de resistência dos mass media aos ataques
[editar] As disfunções das comunicações de massa
- O fato do fluxo informativo dos mass media circular livremente pode ameaçar a estrutura fundamental da própria sociedade
- A exposição a grandes quantidades de informação pode provocar a chamada "disfunção narcotizante"
[editar] A hipótese dos "Usos e Gratificações"
Mesmo que diferenciemos as necessidades das funções, é possível conceber, em termos funcionais, a satisfação das necessidades sentidas pelos indivíduos ( Wright, 1974) Katz, Gurevitch e Haas (1973 disinguem cinco classes de necessidades que os mass media satisfazem:
- Necessidades cognitivas: aquisição e reforço de conhecimentos e de compreensão
- Necessidades afetivas e estéticas: reforço da experiência estética, emotiva
- Necessidades de integração a nível social: reforço dos contatos interpessoais
- Necessidades de integração a nível da personalidade: segurança, estabilidade emotiva
- Necessidade de evasão; abrandamento das tensões e dos conflitos
Esta hipótese articula-se em cinco pontos fundamentais:
- A audiência é concebida como ativa
- Depende da audiência relacionar a escolha do mass media, com a satisfação da necessidade
- Os mass media competem com outras fontes de satisfação das nessecidades
- Muitos dos objetivos da utilização dos mass media podem conhecer-se através de dados fornecidos pelos destinatários
- Devem suspender-se os juízos de valor acerca do significado cultural das comunicações de mass
A hipótese dos usos e satisfações implica um deslocamento da origem do efeito do conteúdo da mensagem, para todo o contexto comunicativo. A atividade seletiva e interpretatva do destinatário, baseada sociologicamente na estrutura das necessidades do indivíduo, passa a constituir parte estável do processo comunicativo, formando uma dos seus componentes não elimináveis.
- É neste quadro, que toda a hipótese do efeito linear do conteúdo dos mass media sobre as atitudes, valores ou comportamentos do público é invertida, na medida em que é o receptor que estabelece se existirá, pelo menos, um processo comunicativo real.
- Os mass media não são a única fonte de satisfação dos vários tipos de necessidades sentidas pelos indivíduos
[editar] Críticas
Esse modelo teórico está próximo a um funcionalismo psicológico ao supor que a mídia existe para suprir necessidades. Se esse modelo influenciar demandas sociais, será difícil explicar como grupos diversos possam vir a fazer "uso" de conteúdos idênticos para todos e deles derivar alguma "satisfação".
[editar] Bibliografia
- Wolf, Mauro "'Teorias da Comunicação"'
- Pena, Felipe "' 1000 Perguntas , Teoria da Comunicação, Conceitos, Mídias, Profissões"'