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| (PT/BR) | ||
2007 ı cor ı 118 min |
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| Dire[c]ção | José Padilha | |
| Elenco | Wagner Moura Caio Junqueira André Ramiro Milhem Cortaz Fernanda Machado Fernanda de Freitas Maria Ribeiro Fábio Lago |
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| Roteiro/Guião | Bráulio Mantovani José Padilha Rodrigo Pimentel |
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| Género | Drama | |
| Idioma | português | |
| IMDb | ||
Tropa de Elite é um filme brasileiro de 2007, dirigido por José Padilha, que tem como tema o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
Foi objeto de grande repercussão antes mesmo de seu lançamento, por ter sido o primeiro filme brasileiro a, meses antes de chegar aos cinemas, vazar para o mercado pirata e a internet[1]. Um dos protagonistas do filme, o ator Caio Junqueira, chegou a declarar que, por mais que achasse a pirataria algo negativo, sabia que havia sido "por causa dela que o trabalho atingiu o público da televisão"[2]. Uma pesquisa feita pelo Ibope chegou a estimar que mais de 11 milhões de brasileiros teriam visto o filme de forma ilegal [3] - isso, entretanto, não impediu o filme de ter sido bem-sucedido nas bilheterias, tendo estreado em primeiro lugar[4][5] e obtido uma das maiores médias por sala no ano, com mais de 1000 espectadores por sala na primeira semana, mesmo com um lançamento restrito aos estados de Rio de Janeiro e São Paulo [5].
Ao criticar os usuários de substâncias ilícitas, atribuindo-lhes a culpa pela expansão do tráfico de drogas e da violência urbana[6], o filme gerou[carece de fontes] grande debate na mídia brasileira. As práticas de tortura por parte dos policiais também foram abordadas, gerando questionamentos quanto a uma suposta transformação de tais personagens em heróis em virtude de suas atitudes frente aos criminosos ou à população pobre e aos moradores de favelas[6]. Esse posicionamento, no entanto, é contestado pelo diretor José Padilha [7]
O filme recebeu o prêmio Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim 2008. [8]
Índice |
Capitão Nascimento é o comandante de um esquadrão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), a tropa de elite da polícia do Rio de Janeiro. Ele quer deixar o posto, pois está prestes a ser pai e tem ataques freqüentes devidos ao estresse e a dificuldade de realizar o seu trabalho na corporação, mas precisa antes encontrar um substituto à altura. Aos poucos, começa a enxergar como candidatos os aspirantes Neto e Matias, amigos de infância que dividem a mesma indignação com toda a corrupção que vêem na polícia convencional, ou seja da Polícia Militar.
O cineasta José Padilha, após o sucesso de seu premiado Ônibus 174, pretendia filmar um outro documentário, baseado no Best-seller Elite da Tropa, livro do antropólogo Luiz Eduardo Soares e dos oficiais do BOPE André Batista e Rodrigo Pimental que conta histórias reais do dia-a-dia da corporação. No entanto, ao perceber que seria impossível encontrar policiais que aceitassem dar depoimentos sinceros sobre os fatos descritos no livro, desistiu do caráter documental, e assim nasceu Tropa de Elite, uma obra de ficção inspirada no livro.[9][10] Da equipe de produção que Padilha arregimentou, se destaca o montador Daniel Rezende, indicado ao Oscar por Cidade de Deus, bem como Bráulio Mantovani, roteirista também de Cidade de Deus, que aqui trabalhou com o ex-capitão Rodrigo Pimentel, além do próprio diretor.
Durante a pré-produção, para ambientar-se com a personagem, o ator Wagner Moura fez curso com ex-oficiais do BOPE e chegou a quebrar o nariz de um de seus instrutores.[11]
As filmagens do longa foram iniciadas em setembro de 2006 e terminadas no mês de dezembro de 2006.[12] Já no início de 2007 começaram a editar o material. Durantes as filmagens, a equipe foi alvo de um roubo. Os ladrões abordaram uma van que transportava um carregamento de armas cenográficas e as levaram.[9]
O filme foi alvo de pirataria meses antes de sua estréia, sendo vendido em cópias ilegais por camelôs de todo o país, inclusive na Amazônia[13], e distribuído livremente pela internet, em sites de postagens públicas de vídeo, como o YouTube. Ironicamente, grande parte da divulgação do filme se deve às notícias sobre a investigação do responsável pelo seu vazamento.
Os responsavéis pelo vazamento acabaram sendo encontrados. Três funcionários da produtora de legendas DREI MARC, que fazia a inserção de legendas em inglês para exibição nos Estados Unidos haviam iniciado a distribuição ilegal[14] - que começara a pedido de um dos atores do filme, Alexandre Mofatti, interprete do Capitão Carvalho, que obteve para si uma das cópias originais [15]. Isso encerraria as acusações de que as cópias haviam vazado "propositalmente", por iniciativa dos produtores do filme, como forma de divulgar o filme[15].
Segundo o diretor do filme, José Padilha, a cópia do filme que vazou não pode ser considerada verdadeira, pois não foi inteiramente editada.[16]
Muitos camelôs do Rio de Janeiro já vendem os filmes Tropa de Elite 2, Tropa de Elite 3 e Tropa de Elite 4, que segundo eles, seriam as continuações do filme. A verdade não é bem assim[17]:
A primeira sessão do filme foi exibida num cinema em Jundiaí no dia 14 de setembro de 2007. Esta exibição perdurou por duas semanas, com o intuito de qualificar o filme para disputar o Oscar 2008[18].
No entanto, a estratégia não deu certo pois a comissão do Ministério da Cultura escolheu O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias para representar o Brasil no Oscar. Este longa, que havia concorrido no Festival de Berlim em 2007, foi selecionado entre os nove finalistas no Oscar.
O filme foi lançado oficialmente no dia 12 de outubro de 2007 no Brasil, com estréia antecipada para o dia 5 de outubro em 171 sala das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo[19] e obteve a melhor abertura de um filme oficial no ano de 2007, mesmo em circuito limitado, atraindo cerca de 180 mil espectadores na primeira semana sem nenhum tipo de propaganda além dos cartazes[20][21][22]. Mesmo estreando em circuito limitado, ficou em segundo lugar na bilheteria do país naquela semana, perdendo apenas para Resident Evil 3[23]. Na semana seguinte, o filme estreou no restante do país, atraindo um público 120% maior, totalizando cerca de 410 mil pessoas e obtendo o primeiro lugar no total da bilheteria [4], superando filmes como Stardust, estrelado por Robert DeNiro e Michelle Pfeiffer.
Em Portugal o filme estreou dia 10 de Julho de 2008[24], sendo o 5º filme mais visto na sua semana de estreia com mais de 12 mil espectadores[25].
Apesar de ter sido noticiado como sendo a Record a ganhadora do direito de exibição do filme[26], na televisão, essa questão ainda não está definida [27]. Estão na disputa a Rede Globo, a Rede Record, o SBT e a RedeTV!.
Apesar de o SBT oferecer R$ 5 milhões e a oferta da Rede Record ser da ordem de R$ 15 milhões, os produtores do filme parecem mais entusiasmados com a proposta da emissora de Sílvio Santos. Isso se deve à data em que a Record pretende exibir o filme ― 21 de dezembro ― com intenção de conseguir maior auduência do que o Roberto Carlos Especial. O SBT prevê a exibição em 2008, o que possibilitaria uma melhor venda no mercado de DVDs, apesar da presença maciça de piratas no mercado.
Tropa de Elite foi lançado oficialmente em DVD no Brasil no dia 27 de fevereiro de 2008 (tanto para locação quanto para venda direta ao consumidor), pela Universal Studios. A edição possui um disco e contém o filme com 116 minutos em widescreen anamórfico (1.85:1), legendas em português e espanhol (não possui legendas em inglês) e áudio em português 5.1 Dolby Digital. Os extras trazem dois trailers, 13 entrevistas e galeria de fotos, além de uma versão do filme em MP4 voltada para dispositivos móveis.
O filme tornou-se notório por diversos pontos. Desde seu lançamento antecipado - que acendeu uma discussão sobre as cópias ilegais de filmes - até o impacto cultural e a inserção de frases do filme no cotidiano brasileiro.
A crítica de cinema Isabela Boscov escreveu à Revista Veja que o filme destaca-se não apenas por suas cenas chocantes, mas por romper com "a tradição nacional de narrar uma história pelo ponto de vista do bandido" e com a "visão pia e romantizada do criminoso"[28].
O Capitão Nascimento, interpretado por Wagner Moura, chegou a ser citado pela mídia como um "herói nacional" - questionamento que chegou a estampar a edição da revista CartaCapital que tratava do filme. O Secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, declarou que o filme representava de forma apropriada um capitão do BOPE e que Nascimento poderia sim, ser considerado um herói - não pela violência, que "só ocorre na ficção", segundo o secretário, mas por enfrentar "picos de tensão" mas se manter como uma "pessoa muito disciplinada e bem preparada"[29]
O ator André Ramiro, intérprete do personagem André Matias, não o considera um herói, e chegou a declarar que "Polícia era uma coisa que eu abominava. Continuo com a mesma opinião, mas agora conheço as pessoas".[30]
Padilha declarou ter se impressionado com a reação popular ao filme. Segundo o diretor, o filme é uma crítica clara contra a violência e a tortura e não um suporte à violência policial. Wagner Moura disse duvidar que moradores de países como Finlândia ou Suíça veriam tais policiais como heróis, ao passo que muitos brasileiros claramente nutrem um certo respeito pelo Cap. Nascimento.[31]
O Cap. Pimentel, ex-membro do BOPE, co-autor do livro que deu origem ao filme e que serviu de inspiração para o personagem interpretado por Wagner Moura, disse que o filme surgiu em um momento delicado pelo qual passa a cidade do Rio de Janeiro, envolta pelo caos e violência. Pimentou, que possui uma surpreendente semelhança física com o ator, em uma entrevista fornecida pouco após o término da operação policial que antecedeu a chegada do Papa à cidade e a qual liderou, afirmou: "a policia esqueceu a sua missão principal. Não estamos mais aqui para servir e proteger, mas apenas lutando nossa pequena guerra particular contra os traficantes"[6]. A desilusão que se seguiu fez com que o capitão deixasse o BOPE em 1998. A frase "Guerra Particular" foi adotada pelo cineasta João Moreira Salles para entitular o documentário "Notícias de uma guerra particular", do qual a entrevista citada faz parte.
O jornal O Globo defende o diretor: "Acreditar que José Padilha apóia as práticas do BOPE por ter feito Tropa de Elite faz tanto sentido quanto acusar Francis Ford Coppola de ligações com a Máfia por ter dirigido O Poderoso Chefão".
Plínio Fraga, da Folha de S. Paulo, criticou o filme negativamente devido ao fato de se parecer muito com uma produção de Hollywood[32]. O diretor do filme respondeu dizendo que, no Brasil, há uma cultura de desvalorização de um filme bem filmado: "Se filmou bem, é hollywoodiano"[33].
A revista cultural estadunidense Variety ao fazer a crítica sobre o filme um pouco antes do Festival de Berlim, classificou-o como fascista[34].
Por causa da controvérsia, Tropa de Elite se tornou um dos filmes brasileiros mais comentados da história. Segundo o Datafolha, 77% dos moradores de São Paulo já conheciam o filme. A opinião pública também achou o filme bom, com 80% dos entrevistados avaliando o filme como excelente ou bom.[21].
A trilha sonora oficial do filme Tropa de Elite foi lançada em outubro de 2007 pela EMI Music. Tendo a faixa homônima gravada pelo grupo Tihuana, a trilha sonora oficial trouxe para o lançamento vários diferenciais importantes. Cada CD saiu com vale-ingresso para o filme, minipôster encartado e ainda um trailer do polêmico longa.